quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Imortal

As lágimas demoraram a vir. Mas quando chegaram foi como se tudo o que vivemos até hoje tivesse sido uma mentira, um sonho, uma ilusão.
Morreu alguém importante.
Deparamo-nos com uma extrema (des)organização em torno do acontecimento, e sentimos que o mundo está a desabar e que por muito que tentemos não o conseguimos evitar. No canto do seu sofrimento encontramos chorosos, desesperados, inconsulados, indiferentes (...) e há ainda os abutres, que apenas com alguma intenção se aproximam, chorando e soluçando a sua amargurada perda.
De um lado para o outro as pessoas correm, apressadas, contra o tempo que á escasso, a avisar a familia, amigos, enfim os mais chegados; encomendam-se as flores, compra-se o caixão, convoca se o padre... Tudo de maneira a que haja um funeral digno, tudo para que o malogrado se sinta (?) confortável na sua caixa... Naquela enorme caixa onde vão anos de vida e de aventuras, onde vai o amor, o carinho, onde iam pedaços dos corações mais sofridos... Naqueles pedaços de coração vão feridas de uma vida, vai a alegria dos bons momentos, e, a culpa de não podermos ter feito mais, de não termos dito o quanto amamos essa pessoa, de termos feito tudo ao nosso alcance mas ficarmos com a sensação de barriga vazia... Enquanto isso, os abutres ficam á espreita, empoleirados na sua ganância e egocêntrismo, chorando lágrimas (des)comoventes e soltando guinchos (in)compreensiveis... Aí nós, frustados pensamos em tudo o que fizemos pelo nosso ente querido e comparamos com o (des)esperar daqueles abutres , e concluimos que aqueles, ficaram aquém de nós, e que nunca vão chegar aos nossos calcanhares.
Depois vem o enterro, onde agoniadas pela situação, as pessoas se despedem do corpo onde antes vivia uma alma marcante e dizem o quanto amam essa alma, mas muitas vezes com a culpa de não o ter dito enquanto a pessoa estava viva. E os abutres, em vão, fazem juras de saudade eterna...
No fim ficam apenas retratos, lembranças pessoais, memórias, e escondido num cantinho do coração, o enorme apreço por quem amámos durante anos e anos, e numa fracção de segundos foi nos retirada... Os abutres, esses, ficam com os bolsos recheados de culpa, com os corações cheios de mentira e a memória, essa, vai-se apagando com o tempo. Mas algures, por aí, há sempre quem (re)lembre a memória guardada, e que a mantém ao longo dos anos, até chegar a sua vez de ser apenas uma memória, que os abutres querem comer.

2 comentários:

Malograda disse...

Sei bem o q isso e', é dificil para nós vermos partir alguem que gostamos bastante... e mesmo q o tempo passa e a ferida sare continua em nós o vazio da ausencia dessa pessoa. Não considero este texto um texto de uma adolescente, considero de uma pessoa humana que expoe os seus sentimentos (bem reais) de uma situaçao q acaba por afectar qlq uma pessoa em qlq altura da sua vida. Adorei o texto, dos teus melhores. ;) *****

Anônimo disse...

bem para alem de dizer ke gostei ke posso dizer?
posso dizer ke nos cabe a nos lutarmos por tdo o ke keremos, por mais voltas ke a vida de e por mais ke o tempo passe todas as fridas ficam em nos , e nao , naodesaparecm apenas ganham uma capa uma fragil capa ke as encobre...
ate ke algo despedaça essa capa...
lutar é e sera sempre a palavra de ordem...
sentimentos reais como estes ( os teus) nos rodeiam e so alguns captam a sua ecencia, e o mais importante a força ke nos faz viver e subreviver...
gostei mm =)

bjinh*******